12.6.09

Feliz Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados e sua felicidade obrigatória. É como o Natal e a necessidade de dizer a um monte de idiotas que você os ama, para poder odiá-los sem culpa pelos outros 364 dias do ano. Como receber um “Parabéns” no dia do seu aniversário. Parabéns pelo quê? Entendo alguém dizer: “Parabéns, você publicou um belo livro”. “Parabéns, você comeu a Hale Berry." Mas parabéns por ter vivido mais um ano? Qualquer idiota faz isso, sem precisar de muito esforço.
Trecho de Como não viver um Dia dos Namorados, minha contribuição a esse dia tão bacana para o blog Vivijour, da mineirinha Vivi Rocha.

5.6.09

Ex-evangélico, ex-pornô, atual funkeiro

Foto: Copyright Bianca Alves
Senna e a esposa, Sibele: ex-pastor evangélico e
ex-ator pornô gay passivo, agora ativo no funk

Os cones de trânsito estão a salvo. Alexandre Senna, o "único ator pornô gay passivo e heterossexual" abandonou de vez o, hum, métier. Mas o agora ex-ator pornô não tem intenção de retomar a carreira de pastor da Igreja Universal e seguir o caminho de outros colegas que se tornaram pecadores arrependidos profissionais. Ele pretende seguir um caminho mais respeitável: trabalhar como funkeiro.

Alexandre se junta, assim, ao time dos trabalhadores da pornografia que vem tentando diversificar o ramo de atividades para enfrentar a crise que derrubou o pornô nacional. Muitas atrizes já filmam quase que exclusivamente para o mercado internacional. A Explícita vem privilegiando sua loja de brinquedos eróticos, a Adão e Eva. E, como o pornô rende mais glamour do que dinheiro, alguns atores vêm tentando transportar a aura pornô para outros empreendimentos. É o caso das Cheerleaders Brasileiras, grupo lançado por Thammy Gretchen, ou das Sexy Dolls, formadas por duas atrizes pornô, Caroline Miranda e Júlia Paes, além da quase pornô Sabrina Boing Boing, que ensaiou entrar para a indústria pornográfica várias vezes, mas pelo visto não encontrou um preço à altura na fase do mercado brochante.

(Por trás dos dois grupos, está o nome de Cacau Oliver, que hoje também tenta emplacar uma afilhada de Rita Cadillac, chegando a inventar a história de uma briga entre ela e sua outra assessorada, Caroline Miranda, além de mover um processo "milhonário" contra o CQC, tudo para aparecer em programas como o da Luciana Gimenez.)

Inspirados no exemplo das Sexy Dolls (que já eram uma tentativa de imitar as Pussycat Dolls), Alexandre Senna juntou-se a outros sobreviventes da indústria pornô gay — MC Hunter, Rafinha Angel e Rick Montila — para criar o seu grupo de funk.

Boteco Sujo - Seu grupo é um Sexy Dolls versão, hum, masculina?

Alexandre Senna - Sim, mas é somente com atores do pornô gay. Não tem ninguém de fora, como elas. O cantor será o MC Hunter, que é ator pornô e cantor de funk também.

Boteco - Como chama esse grupo?

Alexandre - Os Ator Pornô.

Boteco - "Os Ator Pornô"? Bom nome.

Alexandre - Sim, vamos usar a linguagem de favela. Ao invés de "Os Atores Pornô", "Os Ator Pornô". Entendeu?

Boteco - Ah, entendi. Bem malaco. Mas vocês ainda não fizeram nenhum show?

Alexandre - Queremos a publicidade primeiro. Só vamos fazer sensacionalismo.

Boteco - E vocês são ativos ou passivos?

Alexandre - Todos ativos e passivos.

Boteco - E você terá algum apelido de funkeiro? Alê do Cone, por exemplo?

Alexandre - Não, Alexandre Senna somente.

Boteco - Dá uma palinha de uma letra aí.

Alexandre - JA JA JA JA PAROU
JA JA JA JA PAROU
JA JA JA JA PAROU
DE FAZER FILME PORNÔ
BIS
DESDE MUITO MUITO CEDO
AINDA QUANDO RAPAZINHO
VIA UNS VÍDEOS PORNÔ
NA CASA DE MEU VIZINHO.
O VIZINHO MUITO BIBA
NUNCA VI VIADO IGUAL
ARRANCAVA MINHA ROUPA E .......................
BIS DO 1º REFRÃO

Boteco - E... o quê?

Alexandre - Imagine o que quiser. Chupava, dava.

Boteco - Quem é o autor dessa obra-prima?

Alexandre - Eu. Por quê? Não gostou? Funk é tudo baixaria, mesmo. A minha letra está suave.

Boteco - Não, é que imaginei que vocês fossem fazer uma versão de "Dako é bom”.

Alexandre - Não. Temos nossas próprias versões. O enredo é o cara que desde moleque é safado e resolveu fazer filme pornô. E teve oportunidade no [mercado] gay porque dá mais dinheiro. O mercado faliu, ele saiu e foi cantar funk.

Boteco - É autobiográfico?

Alexandre - Como assim?

Boteco - Tipo, é baseado na sua vida?

Alexandre - Sim.

Boteco - Por que você largou o pornô?

Alexandre - Está falido e o risco é muito grande devido a DSTs. Não tenho medo de falar a verdade.

Boteco - E você nunca pegou nenhuma doença?

Alexandre - Nunca, brother, nunca.

Boteco - Mesmo fazendo cena de dupla penetração anal?

Alexandre (subindo nas tamancas) - Sou consciente e tenho filhos, Fausto. Para fim e começo de história, eu não devo nada a ninguém, muito menos satisfação. Sou saudável e tenho convênio particular. O trabalho que eu tinha exigia uma vez ao ano bateria [de exames] total, OK? E morreu o assunto.

Boteco (arregando) - Beleza, Alexandre. Só perguntei porque você tocou no assunto.

3.6.09

Troféu Caveirinha de Ouro - resposta

A Komunica Assessoria de Imprensa, agraciada com o o Troféu Caveirinha de Ouro de release mais mórbido e oportunista do ano (veja abaixo) recusou educadamente o prêmio. Eis sua justificativa, enviada por e-mail:

Caro Fausto, como vai?

Como jornalista responsável pela Komunica Assessoria de Imprensa, venho por meio desta posicionar-me com relação ao artigo do psicoterapeuta Chris Allmeida, que fez uma análise da numerologia do vôo 477 da Air France.

Gostaria de colocar que nós, da equipe de jornalistas da Komunica, nos mantemos solidários às famílias das vítimas e entendemos o posicionamento de vocês com relação à avaliação feita. Porém, gostaríamos de ressaltar que o profissional tem liberdade para analisar o fato de acordo com as convicções dele. Não podemos misturar nossas convicções pessoais, que incluem religião, costumes, modos de criação, etc, a uma análise de um profissional que tem o direito de se manifestar como cidadão.

Não estamos, de maneira alguma, polemizando o tema nem o tratando de maneira “bizarra”. Apenas divulgamos uma opinião de um profissional de numerologia, que tem o seu ponto de vista baseado em uma arte milenar. De maneira alguma, estamos buscando nos promover em cima de um acidente com tais proporções, até mesmo porque uma empresa jornalística não pode e não deve trabalhar em cima do que é simplesmente polêmico.

Esta é apenas uma retratação da Assessoria de Imprensa. Coloco-me à disposição para responder pelo que cabe ao meu trabalho. Já com relação ao conteúdo do artigo divulgado, que não é produto da Komunica, mas do psicoterapeuta acima citado, peço que entrem em contato com ele para suas devidas considerações, caso achem interessante.

Obrigada pela atenção,

Luciana Barros
Komunica Assessoria de Imprensa
Jornalista responsável (Mtb: 46.501-SP)

Troféu Caveirinha de Ouro

Jornalistas são acusados de explorar tragédias para faturar à custa de sangue. Esta acusação tem lá os seus fundamentos, e bem sólidos, mas os jornais ainda têm a desculpa de não poder ignorar as catástrofes em seu noticiário. Agora, bem que o numerólogo do release abaixo podia passar sem tentar promover seu trabalho com os números do vôo 447. Para ela, portanto, o Troféu Caveirinha de Ouro de release mais mórbido e oportunista do ano (até agora).

Primeiramente, minha solidariedade a todos os familiares e amigos do vôo 447. O que faz um dos aviões mais bem equipados do mundo passe por esta tragédia?

A mídia fala insistentemente de um "mistério", tratando-se de um avião tão cheio de reservas e recursos contra acidentes. O airbus foi projetado para suportar mesmo grandes solavancos. Porém, o que os técnicos não estão observando é a configuração numerológica.

Fiquemos atentos a estes curiosos detalhes:

Vôo 447 = 4 + 4 + 7 = 15

Na numerologia, 15 é o número do Diabo. Este número carrega consigo uma carga muito forte de energias negativas, agressividade, medo, desvio de caminhos, etc. De acordo com as tradições antigas, o 15 surge em nossa vida para mostrar que vivemos num mundo ilusório, no mundo dos sentidos dos desejos do poder e das paixões.

Numa situação como esta de dor e angústia das famílias dos desaparecidos, estamos perante a revolta e o medo sentido pelo ser humano que deseja mais e mais e ao mesmo tempo se vai afundando, no mundo da ilusão dos sentidos.

Nada disso lhe irá servir quando passar para o lado de lá, o verdadeiro lado da vida onde todo o ser irá despido de bens materiais, pois nada poderá levar consigo a não ser as suas ações.

Retomemos agora nossos cálculos. Se por um lado, o vôo 447 gera um número de vibração 15 (pois 4 + 4 + 7 = 15), temos também o detalhe de que Air Bus é um nome que gera vibração 15.

Na numerologia caldéia e cabalística, temos:

A=1, I=1, R=2 = 1 + 1 + 2 =4

B=2, U=6, s=3 = 2 + 6 + 3 = 11

AIR + BUS = 4 + 11 = também temos o 15

Assim sendo, em AIR BUS = 15 e Vôo 447 = 15 temos a conjunção de 15 = 15

Mera coincidência?

Somemos agora o nome completo da aeronave:

AIRBUS A330-200

Quando colocamos todos estes caracteres sob a ótica numerológica temos:

(Airbus = 15 = 1+5 = 6) + (A=1) + (3+3+0=6) + (2+0+0=2)

6 + 1 + 6 + 2 = 15

Ou seja, numerologiamente falando, AIRBUS A330-200 também é número 15, o número do diabo, da destruição, da alteração de caminhos, do medo e da agressividade.

Outros detalhes numerológicos:

O vôo inaugural desta aeronave ocorreu no dia: 25/02/2005

Somando estes números, temos= 2+5+0+2+2+0+0+5 = 16

Na numerologia e no tarô, o 16 é representado por um raio atinge uma torre que se desmorona trazendo consigo, na queda, os moradores, reis ou plebeus. Não faz diferença entre classes sociais pois aqui o que conta é a mão de Deus. A Torre representa o nosso orgulho, os dogmas, os preconceitos e a arrogância. Quando pensamos que estamos acima de tudo e de todos, muitas vezes é necessário que este arcano apareça na nossa vida para nos mostrar a nossa pequenez perante o sentido da vida e perante a grandiosidade de Deus.

Qualquer tarólogo ou numerólogo concordará comigo que o numero 16 trás consigo destruição, choque, perda inesperada, final de algo, corte, doença, acidentes.

Agora vejamos a data do vôo: 31/05/2009

Na numerologia somamos assim: 3+1 / 0+5 / 2+0+0+9

então temos 4 + 5 + 11 = 20

Na numerologia, o número 20 simboliza a manifestação do espírito para uma nova vida. É o número que representa a ressurreição dos mortos, o julgamento dos mesmos. No tarô, a carta 20 revela o anjo despertando-os com o som da trombeta, acordando-os para uma vida nova. É uma imagem um tanto irreal e fantasmagórica, mas tem uma carga de energia muito forte. É um número de avisos, de mensagens do além, de acontecimentos coletivos.

Mais detalhes negativos (ainda será mera coincidência?)

Horário de partida do vôo: 19:03

Somemos = 1+9+0+3 = 13

13 na numerologia é o número da Morte

Número de passageiros (incluindo tripulação): 228

Somemos 2+2+8 = 12

12 na numerologia e no tarô representa o dependurado: Trata-se de uma vibração de sacrifício e estagnação.

O último contato da aeronave foi quando ela estava a 565 km da cidade de Natal.

Somando 565 temos= 5+6+5 = 16 - novamente o número da torre.

Conclusão:

O vôo 447 teve a infeliz junção de várias vibrações numerológicas negativas (na verdade, todas as piores configurações da numerologia):

12 - O Sacrifício

13 - A morte

15 - O Diabo

16 - A Torre, a Destruição

20 - O Julgamento

Seria muito favorável se, neste período de reflexão, as pessoas buscassem respostas que estão além das configurações técnicas ou exteriores e voltassem seus olhares para os sinais ocultos aos olhos daqueles que ignoram as artes esotéricas.

Num aspecto prático, não podemos criar uma paranóia a certos números. Os números orientam nossa vida e apontam caminhos, mas cabe a cada indivíduo o seu próprio caminhar. Entretanto, ignorar a influência vibratória dos números negativos quando conjugadas a certos fatores de risco pode, de fato, ser uma atitude um tanto quanto delicada. Daquilo que sei, devemos manter uma atitude de melhor observação numerológica para evitar que certos eventos acarretem tantas coincidências negativas.

Meu propósito com este estudo não é polemizar o assunto, mas abrir os olhos das pessoas para a compreensão deste conhecimento milenar que é a numerologia. A numerologia, quando bem aplicada, trará orientações para você viver melhor e obter melhores resultados de seus dias.

* Chris Allmeida é psicoterapeuta e terapeuta holístico, escritor, conferencista e produtor de diversas mídias de motivação e desenvolvimento pessoal


Komunica Assessoria de Imprensa

Jornalista responsável: Luciana Barros (Mtb: 46.501-SP)

Colaboração: Camila Dantas

(19) 3032.5494

lu@komunicaassessoria.com.br

camila@komunicaassessoria.com.br

www.1komunica.com.br

2.6.09

A morte do sexo

Degustadores de bons textos e praticantes do sexo solitário de fino tato, chorai. A jornalista Fernanda Lizardo anunciou que fechou as portas do Sexto Sexo, um dos mais excitantes e inteligentes blogs de sexo de que tive notícia. E isso sem mostrar um único peitinho: só pelo poder do texto bem escrito e das observações bem sacadas, de gente que realmente sabe do que está falando. Fernanda explica que o alterego criado por ela para o blog, a famigerada Cooper, cresceu demais e ameaçava engolir a criadora. À maneira de Conan Doyle com Sherlock Holmes ou Angeli com Rê Bordosa, Fernanda resolveu dar cabo de Cooper e seu blog.

Não entendeu? Pois a Fernanda encostou aqui no Boteco para chorar as mágoas e, entre uma garrafa e outra de Stella Artois, deixou esse belo depoimento sobre a morte do Sexto Sexo.

Cooper é meu Mr. Hyde

Cooper morreu.

Todos os que passaram a acompanhar o Sexto Sexo – que detém um histórico de posts desde outubro de 2008 – devem estar pensando que esta é uma morte deveras prematura. Mas não é.

Cooper nasceu em 2001. A onda dos blogs mal havia começado. Eu morava em Ouro Preto (MG) à época. Começava a mexer na internet e fiquei fascinada com a ideia de poder administrar meus textos através da rede. Fã dos velhos diários e agendas, amontoara pilhas de cadernos durante toda a vida – que sempre se perdiam em meio a várias mudanças de cidade ou ficavam acabados por causa de umidade, mofo e poeira. Disquetes não eram confiáveis. CD’s ainda eram raros. Eu poderia armazenar minhas histórias em um blog. Grande achado!

Naqueles tempos, blogs eram diariozinhos virtuais. Eu queria fazer diferente. Criei uma personagem – e mantive total discrição sobre quem estava por trás dela. Uma personagem que, na verdade, viria a ser um alterego. Morando em uma cidade pequena, com poucos atrativos e com muito tempo livre, logo me vi espelhando os desejos em Cooper. Era um pedaço de mim. Era uma forma de tentar explicar coisas que eu não entendia, vivenciar fantasias, explorar aquela transição maluca de adolescência a idade adulta. Se quando jovens somos todos loucos e dramáticos, Cooper me ajudava a não enlouquecer.

Em 2002 me mudei para o Rio de Janeiro (RJ). Continuei mantendo o blog, porém, minha identidade logo veio a público. Tudo bem. Não afetava em muita coisa. Aliás, foi muito bom, até: no ano seguinte eu começaria a cursar jornalismo e o blog virou minha vitrine. Comecei a receber várias propostas de trabalho em função daquele espaço. Algumas pessoas enxergavam um estilo diferente de texto e me chamavam para escrever para veículos impressos, sites e afins. Aproveitei a visibilidade e usei minha imagem para “vender” mais o produto. Era um belo marketing. Vaidosa, gostava muito do resultado.

Logo surgiu a proposta de escrever um livro baseado nos textos do blog. Era um sonho realizado. Quando criança, sempre quisera lançar um livro. A ideia acabou não vingando, porém, a essa altura (idos de 2004, 2005) eu já estava completamente tomada por Cooper.

Durante um tempo não soube separar quem era quem. E aproveitei bem o espaço. Exorcizei fantasmas.. Fiz dele meu divã. Alfinetei gente do dia a dia. Fiz o deleite de parceiros escrevendo textos inspirados em experiências pessoais. Mandei recados ocultos a pessoas da minha convivência.

Em 2008, o blog foi para domínio próprio, ganhou destaque na página de sexo do IG e a coisa cresceu vertiginosamente (sem trocadilhos, por favor). Aí descobri que não estava nem um pouco preparada para aquilo.

Comecei a me tornar a “Cooper do Sexto Sexo”. E sempre associada ao sexo em si. Sim. É um dos meus assuntos favoritos. Mas pouca gente se deu conta de que muitos dos textos não falavam sobre sexo. E que o “Sexo” do título não se referia a uma modalidade sexual – mas ao gênero.

Hoje, oito anos depois de começar o blog, não sinto mais a necessidade de fazer dele meu divã. Comecei a sentir os textos virem repetitivos. E me peguei cheia de policiamento. Às vezes escrevia lá uma história que abrigava coisas muito peculiares e, de repente, alguém vinha sugerir: “Oba, gostei. Agora escreva sobre fetiches com pés”. Eu não estava querendo saber do “escreva”. Nada de imperativos. Meu verbo era na primeira pessoa do presente. “Escrevo”. “Eu escrevo”. E de repente meu espaço de pequenos exorcismos estava atingindo a fantasia de outras pessoas. E desconhecidos vinham relatar seus desejos sexuais sem cerimônia, e eu pensava:

- Meu Deus! Esse sujeito nem me conhece! Como vem relatar suas experiências assim, sem mais nem menos?

E minha liberdade para escrever se foi, porque eu nunca sabia quando poderia me inspirar na realidade ao fazê-lo – e depois ter de lidar com sujeito protagonista da história que se encontrou lá nos textos. Eu não mais sabia quando podia ser egocêntrica ao extremo – tal qual Cooper – e depois aguentar um qualquer achando que ali era a Fernanda. Eu não sabia quando poderia exercer minha vaidade posando para fotos sem ter noção da vontade do fotógrafo de encontrar a figura quase mitológica que eu mesma criei.

E eu não queria mudar o estilo original. A essência de Cooper era aquela. Nasceu para ser alterego. Nasceu para ser roman à clef. Era exatamente isso que me atraía.

Mas não tinha jeito de evitar os infortúnios. Era o poder de Cooper. Ela virou um monstro que, de repente, começou a engolir a jornalista, a profissional que sempre viveu de outras coisas muito separadas do blog.

Reitero que sou bastante orgulhosa do trabalho feito nesses oito anos. Mas tudo sempre muda. Cooper foi uma dádiva que me trouxe bons trabalhos, bons amigos, boas oportunidades, porém, perdeu sua principal função: representar um lado meu que não tinha coragem de ser real.

Talvez eu tenha errado ao começar este texto dizendo que Cooper morreu. Acho que agora ela está mais viva do que nunca. Mas na vida offline. E ocupando exatamente o mesmo espaço – sem nenhum privilégio extra – que todas as outras mulheres que vivem dentro de mim.

Fernanda Lizardo

31.5.09

Spam & malária

Era para ter sido a coroação de uma história de sucesso. A saga de um ex-panfleteiro de Taubaté, no interior de São Paulo, filho de um agente penitenciário aposentado, que se transformou em empresário bem sucedido do ramo de informática, com clientes espalhados por Estados Unidos, China e Rússia, e agora aproveitaria uma viagem à Europa para relaxar e fazer novos negócios.

Era para ter sido a realização de um sonho. Quando embarcou, em 19 de julho do ano passado, Leni de Abreu Neto pretendia levar a mulher, Katia Brait, para conhecer França, Holanda, Inglaterra e Itália. Entre um país e outro, fecharia uma bela transação comercial e, na volta, compraria um terreno para construir a casa da família.

Leni e Katia não tinham como saber, mas a essa altura tudo o que falavam, tudo o que faziam já vinha sendo monitorado pela Polícia Federal. Mesmo após desembarcar na Europa, o casal não desconfiou que cada um de seus passos era observado por agentes do FBI.
Abertura da reportagem A queda do rei do spam, que escrevi junto com o repórter Felipe Pontes para a revista Galileu. Você pode ler o resto da edição de junho. A edição marca a estréia do novo projeto gráfico da revista, em que os designers assinam a matéria junto com os repórteres. Esta reportagem recebeu uma bela ilustração de Xandão seguindo as pegadas de Charles Burns.

Visualmente, está uma revista muito bacana. Quanto aos textos... Bom, sou suspeito para falar, já que assino duas matérias da edição. A outra é uma reportagem sobre a indústria das celebridades engajadas na luta contra a malária africana (ilustrada por Gian La Barbera). Vai lá.